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Migração de domínio: como fazer sem perder posições?

Renan Andrade
Renan Andrade

Publicado em: set. 14, 2026

Atualizado em: set. 14, 2026

Migração de domínio: como não perder tráfego orgânico
24:30

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Respostas Rápidas

Migração de domínio derruba o tráfego?

Migração de domínio faz o site perder posições?

A migração de domínio costuma provocar oscilação de posições por algumas semanas, mesmo quando é bem executada. O Google afirma que a visibilidade do conteúdo flutua temporariamente durante a mudança e se estabiliza com o tempo. Queda permanente costuma vir de erro de execução, não da troca em si.

O redirecionamento 301 faz perder autoridade?

Não. A documentação do Google afirma que redirecionamentos 301 e outros permanentes não causam perda de PageRank. A ideia de que o 301 consome uma fatia fixa da autoridade não aparece em nenhuma documentação oficial e não se sustenta.

Quanto tempo leva para o tráfego orgânico voltar?

A mediana observada em um levantamento com 1.052 migrações foi de 304 dias, com cerca de 27% dos sites recuperando o patamar anterior em até 90 dias. O Google descreve o prazo como algumas semanas ou mais para sites de porte médio.

A migração de domínio afeta a visibilidade em buscas com IA?

Sim, pelo mesmo caminho que afeta a busca tradicional. O Google afirma que uma página só pode aparecer como link de apoio em recursos de IA se estiver indexada e apta a aparecer na Busca, então erro de indexação na migração tira a página das duas superfícies ao mesmo tempo.

O que você aprenderá nesse artigo?

Neste artigo, você vai entender como conduzir uma troca de endereço sem entregar o tráfego orgânico de bandeja:

  • Quando a migração é inevitável: os cenários que forçam a decisão, de rebranding a fusão de sites.
  • Por que o tráfego cai: o que acontece nos sistemas do Google quando o endereço muda.
  • Quanto tempo leva a recuperação: os números de dois levantamentos com mais de mil migrações.
  • O que acontece com o SEO on page: títulos, canônicas, dados estruturados e links internos na travessia.
  • Como preservar o SEO off page: o que acontece com backlinks, menções e perfis externos.
  • O efeito em SEO para IA, AEO e GEO: por que a citação em resposta gerada depende da indexação.
  • O passo a passo antes, durante e depois: mapa de URLs, redirecionamentos, Search Console e monitoramento.
  • Os erros que mais custam tráfego: cadeias de redirecionamento, bloqueio esquecido e a armadilha de mandar tudo para a home.
  • Como medir sem se enganar: por que acompanhar só palavra-chave perene esconde o estrago no pico de demanda.
  • O recorte do setor educacional: a regra do .edu.br e o que muda em um calendário de captação.
🎯 Ao terminar esse artigo, você saberá exatamente o que exigir do time técnico antes de autorizar a troca de endereço do seu site.
⏱️ Tempo de leitura: 22 min
📊 Intermediário
🏢 Gestores de marketing, responsáveis por SEO e líderes de projeto digital.

Trocar o endereço de um site raramente é uma decisão de marketing. Ela costuma chegar pronta, vinda de uma fusão, de um rebranding aprovado no conselho ou de uma exigência jurídica, e o time digital descobre que herdou um projeto técnico que não pediu.

A migração de domínio é a operação de SEO com maior potencial de estrago e o menor espaço para improviso. Ela mexe de uma vez em tudo que sustenta o tráfego orgânico: as URLs indexadas, os links internos, os backlinks acumulados e os sinais que o Google levou anos para associar àquele endereço.

O risco não é teórico. Em setembro de 2026, o Search Engine Journal noticiou o caso de um veículo britânico que trocou o domínio .co.uk por um .com de uma noite para a outra e perdeu 98% da visibilidade em buscas de notícia, sem recuperação quatro meses depois.

A boa notícia é que quase tudo que dá errado numa troca de endereço está documentado, e a maior parte é evitável com planejamento. O que não dá para eliminar é a incerteza, e é justamente por isso que a preparação pesa tanto.

 

Quando a migração de domínio se torna inevitável?

A migração de domínio é a mudança do endereço em que o site é servido, com todas as URLs trocando de hostname. O Google classifica como mudança de site com alteração de URL, a mesma família que inclui a passagem de HTTP para HTTPS e a reestruturação de caminhos. É a modalidade mais sensível, porque nenhum endereço antigo continua válido.

Quatro cenários respondem pela maioria dos casos, em qualquer setor.

Etapas de recuperação de uma migração de domínio, do site antigo ao novo, com 301, DNS e SSLLegenda: a migração de domínio só se estabiliza quando o Google reprocessa redirecionamentos, DNS e certificado no endereço novo

O primeiro é o rebranding. A empresa muda de nome, e o endereço deixa de fazer sentido para quem digita a marca na busca.

O segundo é a fusão ou aquisição, quando dois sites precisam virar um. Esse é o caso mais delicado, porque não é só troca de endereço: há conteúdo concorrente, páginas equivalentes nos dois lados e decisão de consolidação a tomar página por página.

O terceiro é a mudança de extensão ou de escopo geográfico, como sair de um domínio nacional para um global. Foi exatamente o que motivou o caso britânico de 2026.

O quarto é a exigência regulatória ou contratual, em que uma regra externa determina o endereço que a organização pode usar.

Uma distinção evita pânico desnecessário: trocar a marca corporativa não é a mesma coisa que trocar o endereço que gera receita. Kroton e Estácio viraram Cogna e Yduqs em 2019, e as marcas comerciais seguiram nos endereços de sempre. A holding mudou de nome, os sites de captação não.

Quando dá para separar as duas decisões, o custo de SEO cai perto de zero. Essa é a primeira pergunta a fazer em qualquer projeto de rebranding.

Por que a migração de domínio derruba o tráfego orgânico?

O tráfego cai porque o Google precisa reconhecer, reprocessar e reassociar ao novo endereço todos os sinais que estavam ligados ao antigo. Enquanto isso acontece, o site existe em dois estados ao mesmo tempo para os sistemas de busca, e a avaliação de relevância fica temporariamente instável.

Não é uma punição, é uma consequência de arquitetura. O rastreador precisa visitar as URLs antigas, seguir os redirecionamentos, encontrar as novas e refazer a canonicalização de cada uma.

John Mueller, da equipe de Search Relations do Google, resumiu o ponto ao comentar o caso britânico de 2026: uma mudança de site é sempre um assunto sério, mesmo quando se dedica tempo para fazer certo, e o resultado é impossível de conhecer inteiramente de antemão.

O caso britânico pede leitura cuidadosa, porque funciona melhor como alerta do que como prova. O próprio Search Engine Journal registra que o veículo não foi nomeado, que os dados não podem ser verificados de forma independente e que o site já vinha perdendo visibilidade em atualizações anteriores do algoritmo, além de ter problemas técnicos internos.

Em vez de provar que a migração destrói sites, o episódio mostra que ela entra numa conta onde já havia outros problemas e torna impossível separar as causas.

Há um detalhe que merece atenção: o site migrou inteiro de uma noite para a outra. John Shehata, da NewzDash, atribuiu a queda a uma reavaliação completa disparada por uma mudança drástica, e recomendou que sites grandes migrem em partes.

Migrar também não resolve problema de qualidade. Mueller já comentou o caso de um site com problemas de qualidade que trocou de domínio, teve uma alta passageira e caiu de novo, e explicou que a melhora aconteceu enquanto o Google ainda não conseguia entender bem o site. Quando voltou a entender, reaplicou a avaliação.

Quanto tempo leva a recuperação de uma migração de domínio?

Não existe prazo oficial. O Google afirma que, para sites de porte médio, pode levar algumas semanas ou mais até que as novas URLs apareçam no lugar das antigas, e que para sites maiores demora ainda mais. Qualquer número fechado que circule por aí vem de levantamento de mercado, não de documentação.

Os dois levantamentos públicos mais amplos são de Dan Taylor. O primeiro, publicado no Search Engine Journal em janeiro de 2025, analisou 892 migrações. O segundo, da SALT.agency em junho de 2026, chegou a 1.052 casos e traz o recorte mais útil para planejamento.

Veja como os prazos se distribuem nesse conjunto:

Prazo após a migração

Sites recuperados

O que isso significa no planejamento

Até 90 dias

27%

Cenário otimista, não é a expectativa padrão

Até 12 meses

58%

Pouco mais da metade fecha um ano no azul

Acima de 12 meses

42%

Atravessa pelo menos um ciclo comercial inteiro

Após 3 anos

13,9% sem recuperação

Parte das migrações não volta ao patamar anterior

Tabela: Distribuição do tempo de recuperação em 1.052 migrações de domínio analisadas pela SALT.agency, com mediana de 304 dias.

A mediana de 304 dias é o número que vale para orçamento. A média do estudo, de 489 dias, é puxada por casos extremos e descreve mal o caso típico.

Duas ressalvas honestas sobre esses dados: são levantamentos parcialmente colaborativos, em que quem sofreu tende a reportar mais, e a recuperação foi medida por estimativa de ferramenta, não por dado do Search Console. São os melhores números públicos disponíveis, e ainda assim não são estudo controlado.

Sobre o tamanho da queda, o mercado trabalha com uma faixa de referência que não tem documentação oficial por trás. A leitura mais citada é que oscilação de 10% a 30% estabilizando em algumas semanas tende a ser normal, e que queda acima de 50% persistindo por mais de um mês costuma indicar erro de execução.

O que a migração de domínio faz com o SEO on page?

O SEO on page é a camada que mais sofre dano silencioso numa migração de domínio, porque o conteúdo parece intacto enquanto os sinais que o descrevem se perdem no caminho. Título, descrição, cabeçalhos, canônica, dados estruturados e links internos vivem em campos de banco de dados, e transferência mal feita apaga qualquer um deles sem quebrar a página.

O erro mais comum é a perda de metadados na exportação. Títulos e descrições somem, o CMS novo gera títulos automáticos a partir do nome da página, e o site inteiro passa a competir com variações padronizadas do próprio nome.

A canônica é o segundo ponto crítico. Cada nova URL precisa de canônica autorreferente, porque a canônica apontando para o endereço antigo mantém o Google preso à versão que você acabou de aposentar.

Os dados estruturados também viajam mal. Marcações com URL absoluta, comuns em breadcrumb, organização e artigo, continuam apontando para o domínio antigo depois da troca, e vale validar o JSON-LD do site novo antes de liberar a virada.

Sobre links internos, a orientação é direta: todos passam a apontar para as URLs novas, inclusive as do menu e do rodapé.

Mueller já apontou que o erro clássico é redirecionar as URLs e esquecer a canônica, a navegação ou algum link no rodapé, o que faz o Google manter as URLs antigas por muito mais tempo do que seria necessário.

Fechando a camada, entra a experiência de página. Servidor novo, CDN diferente e cache não configurado costumam derrubar o tempo de carregamento logo depois da virada, e a queda de desempenho se soma à instabilidade natural da migração.

Como preservar o SEO off page na troca de domínio?

O SEO off page é o ativo que você não controla, e por isso precisa de mais cuidado na migração de domínio. Backlinks, menções de marca e perfis em diretórios apontam para endereços que vão deixar de existir, e o único instrumento que preserva esse valor é o redirecionamento permanente, mantido no ar por tempo suficiente.

A primeira boa notícia vem da própria documentação do Google, que afirma que redirecionamentos 301 e outros permanentes não causam perda de PageRank, e orienta explicitamente a não se preocupar com crédito de link.

A segunda notícia é operacional. Como o inventário de URLs quase nunca é completo, o relatório de links do Search Console entra como fonte de mapeamento: as páginas que mais recebem links externos são as que não podem faltar no mapa de redirecionamento.

Uma ordem de prioridade ajuda quando o volume é grande. Páginas de maior tráfego e receita vêm primeiro, depois as de perfil de backlink mais forte, depois a home e as páginas críticas de conversão.

Há dois pontos que escapam com frequência. O primeiro é o arquivo de configuração do servidor antigo, que costuma guardar redirecionamentos históricos acumulados ao longo de anos e precisa ser copiado, não recriado do zero.

O segundo é o registro do domínio antigo. O Google recomenda continuar pagando por ele por pelo menos um ano, para impedir que terceiros o comprem e capturem o histórico de links que você levou anos para construir.

O passivo também merece revisão antes de migrar. Se existe arquivo de disavow na propriedade antiga, ele não se transfere sozinho e precisa ser reenviado na propriedade nova.

Migração de domínio afeta SEO para IA, AEO e GEO?

Afeta, e pelo caminho mais simples possível: a elegibilidade. O Google afirma na documentação de recursos de IA que, para aparecer como link de apoio em AI Overviews ou no AI Mode, a página precisa estar indexada e apta a aparecer na Busca. Se a migração tira a página do índice, ela sai das duas superfícies ao mesmo tempo.

Essa constatação desarma boa parte do que se vende como estratégia separada de SEO para IA em migração. A mesma documentação afirma que não existem requisitos adicionais nem otimizações especiais para aparecer nesses recursos, e que não é preciso criar arquivos legíveis por máquina, arquivos de texto para IA ou marcação nova.

O que o Google lista como fundamento continua sendo o de sempre: permitir o rastreamento no robots.txt, tornar o conteúdo fácil de encontrar por links internos e oferecer uma boa experiência de página. Em uma migração, esses três itens são exatamente os que mais quebram.

A prática de AEO e GEO sofre um efeito adicional, e esse é de medição. Resposta gerada por IA cita a URL, então enquanto a citação circular com o endereço antigo, o clique depende do redirecionamento funcionar. É mais um argumento para manter os 301 no ar por bastante tempo.

Há um ponto em que convém ser honesto sobre o que não se sabe. Sistemas de IA de terceiros têm ciclos próprios de atualização, e não há documentação pública que diga em quanto tempo cada um passa a refletir o endereço novo.

Por isso, a recomendação prudente é tratar a visibilidade em SEO para LLM como uma métrica de acompanhamento mais lenta que a da busca tradicional, sem concluir nada nas primeiras semanas.

Como preparar a migração de domínio antes da virada?

A preparação é onde a migração de domínio é ganha ou perdida. O Google organiza o trabalho prévio em três frentes: montar o novo site, levantar o inventário completo de URLs e ajustar os sinais técnicos antes que qualquer redirecionamento entre no ar.

O inventário é a peça central. A documentação de mudança de site orienta reunir as URLs a partir dos sitemaps, dos logs de servidor, das ferramentas de analytics e do relatório de links do Search Console, e guardar o de-para em banco de dados ou em regras de reescrita por padrão.

Um detalhe que escapa com frequência: o mapa precisa incluir imagens, vídeos, arquivos de JavaScript e de CSS. Material rico em PDF, catálogo e galeria de fotos somem do índice se ficarem fora do mapa.

No lado da infraestrutura, a lista mínima antes da virada é curta e inegociável:

  • Certificado TLS obtido e configurado no novo endereço.
  • Ambiente de teste bloqueado para indexação, com hostname temporário e noindex.
  • Todas as variantes verificadas no Search Console, com e sem www, em HTTP e em HTTPS, nos dois domínios.
  • Ações manuais e remoções pendentes verificadas, se o domínio novo foi comprado de terceiros.
  • TTL do DNS reduzido pelo menos uma semana antes da troca.
  • Capacidade de servidor reforçada, porque o Google aumenta o volume de rastreamento durante a migração.

A checagem de ações manuais merece um parágrafo próprio. Domínio usado antes por outra pessoa carrega histórico, e comprar um endereço com passagem por spam é herdar um problema junto com a marca.

Há ainda duas decisões de calendário. O Google recomenda migrar em período de baixa sazonalidade e não combinar a troca de endereço com redesign ou mudança de CMS.

Ainda antes de qualquer mudança, faça um rastreamento completo do site atual. Sem essa fotografia, não há como comparar canônicas, títulos e dados estruturados depois, nem como saber se um problema já existia ou nasceu na virada.

O que fazer no dia da troca de domínio?

A virada segue uma ordem que não pode ser invertida: primeiro os redirecionamentos entram no ar, depois a ferramenta de alteração de endereço é submetida. O Google exige que os 301 já estejam implementados antes do envio, e a ferramenta roda verificações que bloqueiam o processo se algo crítico estiver fora do lugar.

Os redirecionamentos precisam ser permanentes e feitos no servidor, com 301 ou 308. Redirecionamento temporário, com 302 ou 307, não funciona como sinal de canonicalização, e o endereço antigo continua sendo o que aparece na busca.

O Google recomenda apontar cada URL diretamente para o destino final. O rastreador segue até dez saltos em cadeia, mas a orientação é manter no máximo três, e sempre abaixo de cinco.

A ferramenta de alteração de endereço do Search Console cumpre um papel específico e limitado. Ela prioriza o rastreamento do site novo e encaminha sinais do antigo, por um período de 180 dias. Dois pré-requisitos costumam pegar as equipes de surpresa: as duas propriedades precisam estar na mesma conta Google e precisam ser propriedades de domínio, não de caminho.

Igualmente importante é saber o que a ferramenta não faz. Ela não move subdomínios automaticamente, não remove o site antigo do índice e não serve para a passagem de HTTP para HTTPS nem para mudanças de caminho dentro do mesmo domínio.

No mesmo dia, quatro ajustes fecham o pacote técnico:

  1. Canônica autorreferente configurada em cada nova URL.
  2. Hreflang atualizado para os novos endereços, se o site tem versões em outros idiomas.
  3. Links internos apontados direto para as URLs novas, inclusive os do menu e do rodapé.
  4. Bloqueios de robots.txt e noindex do ambiente de teste removidos.

Quais erros mais custam tráfego numa migração de domínio?

Os erros que mais destroem tráfego numa migração de domínio são de execução, não de estratégia. Eles se repetem com tanta regularidade que o Search Engine Journal chegou a catalogar onze causas frequentes de queda pós-migração, e a maioria delas é verificável em minutos com um rastreamento.

Mandar muitas URLs antigas para uma única página irrelevante, normalmente a home, é o mais caro deles. O Google afirma que essa prática pode ser tratada como erro de soft 404, o que significa que a página de destino simplesmente não herda nada.

Bloqueio esquecido é o segundo clássico. O robots.txt do ambiente de teste sobe junto com o site e impede o rastreamento do endereço novo inteiro.

A lista dos demais é previsível e nem por isso menos frequente:

  • Canônicas apontando para páginas irrelevantes ou para URLs que já não existem.
  • Metadados perdidos na transferência de banco de dados, com títulos e descrições sumindo.
  • Redirecionamentos quebrados, em laço ou em cadeia longa.
  • Imagens sem redirecionamento, o que zera o tráfego vindo da busca por imagens.
  • Links externos apontando para URLs sem destino correspondente no novo endereço.
  • Redirecionamentos históricos do servidor antigo não copiados para o novo.
  • Registro do domínio antigo deixado para expirar.

Esse último merece destaque, porque é o único irreversível. O Google recomenda manter os redirecionamentos por pelo menos um ano na documentação de mudança de site, e continuar pagando o registro do domínio antigo por no mínimo um ano.

Uma curiosidade útil: a própria documentação do Google traz dois prazos diferentes. A página de mudança de site fala em pelo menos um ano de redirecionamentos, e a ferramenta de alteração de endereço fala em pelo menos 180 dias. O prazo conservador vence, até porque depois dos 180 dias o Google deixa de reconhecer qualquer relação entre os dois sites.

Há ainda um erro de diagnóstico, e não de execução: atribuir à migração uma queda que veio de outra coisa. Se a virada acontece perto de uma atualização do algoritmo, separar as causas fica quase impossível, o que é mais um argumento para escolher bem a data.

Como medir a migração de domínio sem se enganar?

A medição de uma migração de domínio engana quando o painel acompanha o tipo errado de busca. O caso britânico de 2026 é a demonstração mais clara disso: as ferramentas tradicionais, que seguem um conjunto fixo de palavras-chave majoritariamente perenes, estimaram queda de 60% a 70%, enquanto a metodologia baseada em buscas em tendência apontou 98%.

Trinta pontos de diferença não são detalhe metodológico, são a diferença entre um susto e um desastre.

A tradução para qualquer negócio com demanda sazonal é direta. Monitorar apenas termos perenes, como o nome de uma categoria de produto ou serviço, mostra um site que balançou e voltou. O que esse painel não mostra é o desempenho nas buscas que explodem em datas específicas, ligadas a prazo, inscrição, promoção ou lançamento, que é onde a conversão acontece.

Por isso, a régua de acompanhamento precisa ter duas faixas separadas desde antes da virada: os termos perenes e os termos de ciclo. Sem a linha de base dos dois, não há como saber o que foi perdido.

No Search Console, a rotina diária se concentra em três lugares: o relatório de sitemaps, para ver o índice antigo caindo enquanto o novo sobe; a cobertura, para pegar erro de rastreamento; e o desempenho, segmentado por página.

Um aviso para poupar chamado interno: mensagens de URL redirecionando no sitemap antigo são normais durante a migração, e não indicam problema.

Os logs do servidor completam o quadro: mostram a atividade real do Googlebot nos dois endereços e revelam erros que o painel demora a reportar. Quando os do endereço antigo zeram, a migração terminou de fato.

Como a leitura de posição no Google ficou menos confiável com a chegada das respostas geradas por IA, faz ainda mais sentido acompanhar impressões e cliques junto da posição, em vez de olhar o ranking isolado.

O que muda na migração de domínio de uma instituição de ensino?

O setor educacional concentra dois agravantes que valem como exemplo para qualquer mercado regulado: uma regra de nomenclatura que pode obrigar a troca e um calendário que deixa pouquíssima janela segura para executá-la.

A regra vem do registro. O domínio .edu.br é restrito a instituições de ensino de terceiro grau reconhecidas pelo Ministério da Educação, e as regras do NIC.br exigem que o nome escolhido seja não genérico, ligado ao nome legal, ao nome fantasia ou à sigla da instituição.

A consequência prática aparece quando a instituição muda de nome. Se o domínio precisa refletir a denominação real e a denominação muda, o endereço entra na conversa junto com o processo de credenciamento, sem que ninguém tenha planejado um projeto de SEO.

As regras do NIC.br não tratam do que acontece com o endereço antigo nesse cenário. A nota de esclarecimento do órgão sobre a migração dos domínios .br diretos menciona prazos razoáveis e coexistência paralela entre o nome novo e o antigo durante a transição.

Essa coexistência conversa bem com a recomendação do Google de manter os redirecionamentos por pelo menos um ano.

O segundo agravante é o calendário. Como o Google recomenda migrar em baixa sazonalidade, as estratégias para o marketing educacional precisam identificar a janela entre o encerramento das matrículas de um ciclo e o início da campanha seguinte, que é curta e costuma ser a única do ano.

Para instituições que dependem de busca regional, o impacto se estende ao SEO local: perfil da empresa, citações em diretórios e menções com o endereço antigo também entram na lista de atualização.

O efeito atravessa todos os canais orgânicos. Boas estratégias para o marketing educacional dependem de conteúdo indexado, então a mesma falha técnica que derruba o blog nas buscas também tira a instituição das respostas geradas, que é o terreno do SEO para LLM.

O ponto que generaliza: em qualquer setor com regra de nomenclatura e pico de demanda concentrado, a área de marketing precisa ser avisada quando o processo começa, e não quando o domínio novo já foi registrado.

Perguntas frequentes sobre migração de domínio

A ferramenta de alteração de endereço serve apenas para mudança de domínio ou de subdomínio, com os redirecionamentos 301 já no ar. Ela não funciona para a passagem de HTTP para HTTPS, para mudanças de caminho no mesmo domínio nem para alternar entre www e a versão sem www.

Não. O Google recomenda não combinar a troca de endereço com redesign ou mudança de CMS. Misturar as mudanças impede identificar a origem de qualquer queda e obriga o Google a reprocessar conteúdo e estrutura ao mesmo tempo, o que estende o período de instabilidade.

A documentação de mudança de site recomenda manter os redirecionamentos pelo maior tempo possível, em geral no mínimo um ano. O Google também orienta continuar pagando o registro do domínio antigo por pelo menos um ano, para evitar que outra pessoa o compre.

Manter páginas sem redirecionamento no endereço antigo confunde os sistemas do Google, que passam a tratar a mudança como dois sites distintos em vez de uma migração. Migrar por seções completas é diferente disso e é recomendado para sites grandes.

Não de forma confiável. Mueller já descreveu o caso de um site com problema de qualidade que migrou, teve alta temporária e caiu de novo quando o Google voltou a entender o conteúdo. A troca de endereço cria uma janela de reavaliação, não apaga o histórico de qualidade.

Não. O Google afirma que não há requisitos adicionais nem otimizações especiais para aparecer em recursos de IA, e que a página só precisa estar indexada e apta a aparecer na Busca. Acertar o técnico da migração já cobre as duas superfícies.

Vale a pena assumir o risco de uma migração de domínio?

Vale quando a migração de domínio é consequência de uma decisão maior, de marca, de regulação ou de aquisição, e não quando é preferência estética. Os dados da SALT.agency mostram mediana de 304 dias para recuperar o patamar de tráfego, e cerca de 14% dos casos sem recuperação plena depois de três anos. Não é um projeto para testar hipótese.

Se a troca é inevitável, o que resta é reduzir a superfície de erro. Isso quer dizer inventário completo de URLs, redirecionamento direto para o destino final, canônicas e links internos atualizados no mesmo dia, ferramenta de alteração de endereço submetida depois dos 301, e linha de base medida em duas faixas, com termos perenes e termos de ciclo.

E quer dizer, acima de tudo, separar as decisões. Se dá para trocar a marca corporativa sem mexer no endereço que gera receita, essa é a economia mais barata de todo o projeto.

Uma última observação de orçamento. Uma migração mal conduzida pode consumir um ano inteiro de resultado orgânico, o que ajuda a explicar por que o retorno de SEO se mede em anos e não em meses: o ativo demora a ser construído e some rápido quando a base técnica falha.

Se a sua organização está diante de uma mudança de nome, de uma integração pós-aquisição ou de um reposicionamento com troca de endereço, vale envolver quem cuida do tráfego orgânico antes que o cronograma esteja fechado.

A equipe da Mkt4edu pode avaliar o cenário e desenhar o plano de migração junto com o seu time técnico: fale com a gente.

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